Há 13 pães, abrimos uma padaria.
Como sofreste! E que sócio arranjaste…
Tantas vezes ligaste o forno pela manhã,
E eu, ainda na cama,
De mente pesada, dormia;
Néscio, achava que muito sabia;
Cego, enxergava o que não existia.
Tantas vezes amassaste as massas,
E eu, magricelo, abismado te olhava.
Não compreendia quem eras, ou o que era a vida,
Não em ideia, mas a de todo-dia,
Que move as gentes em suas estradas
Que toca as gentes na lida do dia.
Mas deixaste as massas crescendo
Com a paciência do semeador.
‘Té que me assaste.
Polvilhaste em mim teu açúcar,
Cobriste minha alma com tua essência.
E ainda que haja em mim
O mesmo fermento vespertino,
Incorporaste em mim tuas frutas:
A paixão pelas coisas que crescem
A visão do trabalho bem feito
A noção do belo do velho
O olhar dos simples desejos…
Pode chamar-me exagerado,
Minha bela padeira, de tão tosca fera,
Mas de todos os pães que assamos, insisto,
O mais saboroso é sempre o último.
Em virtude de nossos 13 anos de casado.